Junho de 2009, Piraquara às 8 horas da Manhã
Artista-Artesão-Tecelão-Professor-Humorista-Desenhista



24/04/09 - 10h57 - Atualizado em 24/04/09 - 10h57
Richard Wrangham discute hipótese do 'macaco cozinheiro' com o NYT.
Comida preparada no fogo tem maior valor nutritivo, argumenta ele.
Claudia Dreifus Do 'New York Times'
Richard Wrangham, primatologista e antropólogo, passou quatro décadas observando chimpanzés selvagens na África para analisar o que seu comportamento pode nos dizer sobre os humanos pré-históricos. Wrangham, 60, nasceu na Inglaterra e desde 1989 está em Harvard, onde é professor de antropologia biológica. Ele está prestes a publicar outro livro, “Catching fire: how cooking made us human” (Pegando fogo: como cozinhar nos tornou humanos). Ele foi entrevistado durante um almoço vegetariano na última reunião da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Chicago, e em seguida mais uma vez por telefone. Segue uma versão editada das duas conversas:
PERGUNTA: Em seu novo livro, você sugere que o ato de cozinhar foi capaz de facilitar nossa evolução de macacos a humanos. Até hoje, os cientistas teorizaram que a criação de ferramentas e a alimentação com carne definiram as condições para a escalada do homem. Por que você argumenta que cozinhar foi o fator principal?
WRANGHAM: Tudo os fatores mencionados por você foram direcionadores da evolução de nossa espécie. Entretanto, nosso cérebro grande e o formato de nossos corpos são o produto de uma rica dieta, apenas disponível depois que nós começamos a cozinhar nossos alimentos. Foi a ação de cozinhar que deu a nossos corpos mais energia do que conseguiríamos anteriormente comendo comida crua.
Eu acompanhei chimpanzés selvagens e estudei o que, e como, eles comem. Chimpanzés modernos são inclinados a pegar os mesmos tipos de comida que nossos ancestrais. Na vida selvagem, eles seriam sortudos se encontrassem uma fruta tão deliciosa quanto uma framboesa. Com maior frequência eles encontram um cacho de frutas secas e de gosto forte, como frutos de espinheiros, mastigados por eles durante pelo menos uma hora. O chimpanzé passa a maior parte de seu dia descobrindo e mascando alimentos extremamente fibrosos. Sua dieta é bastante insatisfatória para humanos. Mas assim que nossos ancestrais começaram a comer alimentos cozidos – há aproximadamente 1,8 milhões de anos –, sua dieta se tornou mais suave, segura e muito mais nutritiva.
E foi isso o fator estimulador do desenvolvimento do corpo ereto e do cérebro grande associados aos humanos modernos. Ancestrais mais antigos tinham o tronco relativamente grande para proporções de macacos. O Homo erectus, nosso ancestral mais imediato, possui pernas compridas e um corpo esguio. Na verdade, ele poderia entrar numa loja da Quinta Avenida hoje e comprar um terno diretamente do cabide.
Nossos ancestrais foram capazes de evoluir porque as comidas cozidas eram mais ricas, mais saudáveis e exigiam menos tempo para mastigar.
P: Para cozinhar, você precisa de fogo. Como os humanos antigos o conseguiam?
WRANGHAM: Os australopitecos, predecessores de nossos ancestrais pré-humanos, viviam em savanas de planaltos secos. Eles muitas vezes encontravam fogos naturais e alimentos aprimorados por essas chamas. Além disso, sabemos, por marcas de cortes em antigos ossos, que nosso distante ancestral, o Homo habilis, comia carne. Eles certamente fizeram martelos de pedras, possivelmente usados para amaciar essa proteína animal. Sabemos que voam faíscas quando se bate pedras. É razoável imaginar que nossos ancestrais comeram alimentos aquecidos pelo fogo, criado, diga-se de passagem, por eles próprios, enquanto preparavam sua carne.
Agora, com fogueiras comunitárias, alimentos cozidos e uma dieta rica em calorias, o mundo social de nossos ancestrais também mudou. Quando indivíduos eram atraídos a um local específico onde havia uma fogueira, eles passavam muito tempo juntos, em volta do fogo. Isso era claramente um sistema extremamente distinto do estilo errante dos chimpanzés, acostumados a dormir onde quer que fosse, sempre capazes de abandonar um grupo se houvesse qualquer tipo de conflito social.
Tínhamos de conseguir olhar um para o outro nos olhos. Não podíamos reagir com impulsividade. Uma vez que se está sentado em volta do fogo, você precisa reprimir emoções reativas capazes, de outra forma, de levar ao caos social. Ao redor daquele fogo, nos tornamos mais mansos.
P: Seus críticos dizem que você tem uma boa teoria, mas nenhuma prova. Eles dizem que não há evidência de fogueiras há 1,8 milhões de anos. O que você responde para eles?
WRANGHAM: Sim, existem aqueles que necessitam das provas arqueológicas acerca da existência de fogueiras há 1,8 milhões de anos. E sim, até agora, nenhuma prova foi encontrada. Há evidências em Israel capazes de mostrar o controle de fogo há cerca de 800 mil anos. Eu adoraria ver sinais arqueológicos mais antigos. Em algum momento, vamos encontrá-los.
Todavia, nesse meio tempo, temos fortes evidências biológicas. Nossos dentes e nossos órgãos internos ficaram menores há 1,8 milhões de anos. Essa mudança só pode ser explicada pelo fato de que nossos ancestrais estavam obtendo mais nutrientes e comidas mais macias. Isso só poderia ter acontecido se eles estivessem cozinhando. A dieta que vemos nos chimpanzés modernos, simplesmente não era suficiente para estimulá-los.
P: Vi que certa vez você embarcou numa dieta de chimpanzé. Como foi isso?
WRANGHAM: Em 1972, quando eu estava estudando comportamento de chimpanzés na Tanzânia, pensei ser interessante ver como eu viveria com a alimentação dos chimpanzés. Perguntei a Jane Goodall, o diretora do projeto, se eu poderia viver como um chimpanzé por algum tempo. Ela concordou. Porém, eu queria ser realmente natural e verdadeiramente uma parte da selva, então acrescentei: “Gostaria de fazer isso nu”. Nesse ponto ela fincou o pé: “Você vai usar pelo menos uma tanga!”.
No fim, acabei não realizando o experimento completo. Entretanto, houve tempos em que eu passei a não comer pela manhã e tentei viver do que encontrasse. Isso me deixou extremamente faminto.
P: O que você come, usualmente?
WRANGHAM: Comida comum, ocidental e industrializada. Não como um animal que não estou preparado para matar eu mesmo. Não como um mamífero há mais de 30 anos, exceto por um par de vezes nos anos 1990, quando comi um pouco de macaco cru que os chimpanzés haviam matado e deixado para trás.
Eu queria ver qual era o gosto. O colobo-branco-e-preto é muito duro e desagradável. O colobo-vermelho é mais doce. Os chimpanzés o preferem por bons motivos.
P: Você comeu macaco cru pela ciência?
WRANGHAM: Sim. Sinto que, ao assumir a pele de um chimpanzé, você ganha percepções que não conseguiria de outra maneira. Foi assim que cheguei a este entendimento sobre o papel do cozinhar.
P: Já que você acredita que as porções cruas da pré-história deixariam uma pessoa moderna faminta, isso significa que estamos adaptados aos alimentos consumidos atualmente – McDonald’s, pizza?
WRANGHAM: Acho que estamos adaptados à nossa dieta. Todavia, nosso estilo de vida não está. Estamos adaptados no sentido de que nossos corpos são projetados para maximizar a quantidade de energia obtida de nosso alimento. Então somos muito bons em selecionar as comidas capazes de produzir muita energia. Entretanto, nós absorvemos muito mais do que precisamos. Isso não é uma boa adaptação.





Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim
Mas se for, saiba ser sem se desesperar
Desejo também que tenha amigos
Que mesmo maus e inconseqüentes
Sejam corajosos e fiéis
E que pelo menos em um deles
Você possa confiar sem duvidar
E porque a vida é assim
Desejo ainda que você tenha inimigos
Nem muitos, nem poucos
Mas na medida exata para que
Algumas vezes você se interpele
A respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles
Haja pelo menos um que seja justo
Desejo depois, que você seja útil
Mas não insubstituível
E que nos maus momentos
Quando não restar mais nada
Essa utilidade seja suficiente
Para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante
Não com os que erram pouco
Porque isso é fácil
Mas com os que erram muito e irremediavelmente
E que fazendo bom uso dessa tolerância
Você sirva de exemplo aos outros
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais
E que sendo maduro
Não insista em rejuvenescer
E que sendo velho
Não se dedique ao desespero
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
Desejo, por sinal, que você seja triste
Não o ano todo, mas apenas um dia
Mas que nesse dia
Descubra que o riso diário é bom
O riso habitual é insosso
E o riso constante é insano.
Desejo que você descubra
Com o máximo de urgência
Acima e a respeito de tudo
Que existem oprimidos, injustiçados e infelizes
E que estão bem à sua volta
Desejo ainda
Que você afague um gato, alimente um cuco
E ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque assim, você se sentirá bem por nada
Desejo também
Que você plante uma semente, por menor que seja
E acompanhe o seu crescimento
Para que você saiba
De quantas muitas vidas é feita uma árvore
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro
Porque é preciso ser prático
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele na sua frente e diga:
"Isso é meu"
Só para que fique bem claro
Quem é o dono de quem
Desejo também
Que nenhum de seus afetos morra
Por eles e por você
Mas que se morrer
Você possa chorar sem se lamentar
E sofrer sem se culpar
Desejo por fim
Que você sendo homem, tenha uma boa mulher
E que sendo mulher, tenha um bom homem
Que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes
E quando estiverem exaustos e sorridentes
Ainda haja amor pra recomeçar
E se tudo isso acontecer
Não tenho mais nada a lhe desejar