Primeira Geada de 2009


Junho de 2009, Piraquara às 8 horas da Manhã
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Homenagem ao Zé


Hoje, num curso de Capacitação em Artes, precisei criar um cenário com materiais recicláveis e logo em seguida improvisar uma cena inspirada naquele . Criei o que está aí em cima. Uma homenagem ao Grande Mestre José Maria Santos, em sua peça mais famosa : "Lá" .

Arte no Caderno 8



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Arte no Caderno 7



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Arte no Caderno 6




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Arte no Caderno 5




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Arte no Caderno 4




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Arte no Caderno 3




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Arte no Caderno 2




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Arte no Caderno

Quando Fiz o Curso de Especialização em Metodologia do Ensino da Arte, na Fap, em 2007, fiz uma série de desenhos no caderno de sala, os quais publico aqui.




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Peter Singer e a ética do dia-a-dia




O filósofo australiano Peter Singer, de 60 anos, especialista em ética, tornou-se mundialmente conhecido com o livro Libertação Animal, de 1975, no qual defendia que nada justifica os maus-tratos impostos aos animais pelos produtores de alimentos. Com mais de trinta outras obras publicadas desde então, Singer agora volta ao assunto em seu novo livro, A Ética da Alimentação, recém-lançado no Brasil. Nele, defende que a forma como o ser humano se alimenta hoje precisa ser reavaliada, pois tem enorme impacto não apenas no sofrimento dos animais, mas também na saúde das populações. Ao longo de sua vasta obra, Singer, hoje professor da Universidade Princeton, nos Estados Unidos, trata de assuntos como aborto, uso de embriões para pesquisas científicas, eutanásia e pena de morte. Nesta entrevista a VEJA, o filósofo comenta o assassinato brutal do menino João Hélio Vieites, de 6 anos, e destaca a necessidade de exercitar a ética diariamente para manter os valores morais de uma sociedade.

Veja – O assassinato do menino João Hélio, de 6 anos, há duas semanas, chocou o Brasil e reacendeu o debate sobre os valores éticos na sociedade brasileira. Um crime bárbaro pode ser tomado como medida dos valores morais de uma nação?
Singer – Crimes como esse se sobrepõem à imoralidade. São amorais. Essa ausência total de valores morais é geralmente percebida em atos praticados por psicopatas ou assassinos em série. Quando pessoas supostamente normais cometem barbáries como essa, tem-se um péssimo sinal. É uma prova de que a sociedade em questão perdeu o controle de si mesma, que as pessoas não têm mais a noção exata de certo e errado. Eu não conheço o Brasil e não sou criminalista, por isso não posso falar de forma específica sobre o caso. De qualquer modo, como os jovens assassinos tinham a opção de parar o carro e evitar a tragédia, o ato torna-se injustificável sob qualquer ponto de vista.

Veja – Existem valores éticos inatos ou todos resultam da vivência e do aprendizado?
Singer – Certos aspectos morais são inatos, como o respeito e o compromisso com a família, com os filhos e com os pais, assim como o senso de justiça e a reciprocidade. São valores universais, presentes em todas as sociedades. Já foi provado que eles existem também entre macacos, gorilas e chimpanzés. Mas alguns valores morais podem sofrer transformações de acordo com os traços culturais e com a realidade de cada sociedade. Essa influência da cultura e da realidade nos valores morais pode ser bem percebida quando tratamos de assuntos como aborto, eutanásia e comportamento sexual. Cada país tem uma visão diferente dessas questões.

Veja – O que pode causar o enfraquecimento dos valores éticos numa sociedade?
Singer – A ética é um exercício diário, precisa ser praticada no cotidiano. Só assim ela pode se afirmar em sua plenitude numa sociedade. Se uma pessoa não respeita o próximo, não cumpre as leis da convivência, não paga seus impostos ou não obedece às leis de trânsito, ela não é ética. Num primeiro momento, pequenas infrações isoladas parecem não ter importância. Mas, ao longo do tempo, a moral da comunidade é afetada em todas as suas esferas. Chamo a isso de círculo ético. Uma ação interfere na outra, e os valores morais perdem força, vão se diluindo. Para uma sociedade ser justa, o círculo ético é essencial.

Veja – Essa lógica pode ser aplicada a questões que envolvem criminalidade?
Singer – Sem dúvida. Bogotá é um exemplo desse círculo ético aplicado no combate à violência. Na capital colombiana, diminuiu-se a criminalidade combatendo-se os pequenos crimes diários. Foi um sucesso. Quando os cidadãos são estimulados a respeitar as leis básicas, passam a respeitar a si próprios, ao próximo e à cidadania. É o primeiro passo para mudar uma sociedade corrompida.

Veja – O senhor é a favor da pena de morte?
Singer – Definitivamente, não. A pena de morte não é moralmente aceitável e brutaliza uma sociedade. Prefiro a pena de prisão perpétua, que é mais justa.

Veja – O senhor defende o aborto e a eutanásia, mas não a pena de morte. Não é uma contradição?
Singer – Não. Tanto o aborto quanto a eutanásia não provocam sofrimento. Ao contrário. São práticas que aliviam o sofrimento. Considero o feto uma vida humana, mas não uma vida que tenha sensações e sentimentos, pelo menos na fase de gestação em que ocorre a maioria dos abortos. A eutanásia é a alternativa moral para aliviar o sofrimento de doentes terminais. Minha posição é contra a interrupção da vida de um ser, seja humano, seja animal, que deseja continuar a viver e sofrerá com a morte inesperada.

Veja – Em seu último livro, o senhor volta ao tema dos direitos dos animais. Não é contraditório justificar o aborto e a eutanásia mas defender a vida dos bichos?
Singer – Sempre fui mal interpretado nesse aspecto. Em nenhum momento disse que não devemos comer carne porque é errado matar animais. O alvo de minhas críticas é a maneira antiética como os animais são criados e abatidos para consumo.

Veja – O senhor argumenta que é preciso pensar na comida de forma ética. O que significa isso?
Singer – As pessoas precisam parar de pensar na comida apenas como algo de que se gosta ou que faz bem à saúde. O ato de comer também é uma decisão ética e moral. É necessário pensar nas conseqüências do comer, tanto para os animais que nos servem de alimento como para o meio ambiente ou para nós próprios. A forma como nos alimentamos hoje faz o animal sofrer, provoca uma epidemia de obesidade no mundo e é causa de uma série de doenças nos seres humanos. Isso tem impacto profundo no planeta e no meio ambiente.

Veja – O que há de errado na criação dos animais destinados à alimentação humana?
Singer – Os animais são criados nas fazendas industriais sem a mínima dignidade. Os porcos, que instintivamente procuram abrigo para alimentar seus filhotes, não podem sequer se mexer, porque vivem num espaço mínimo. Os filhotes são arrancados da mãe o mais rápido possível, para que possam engordar e procriar. O gado não come capim, como todo mundo pensa, mas restos de animais e seus excrementos. Os frangos criados em granja vivem em galpões que abrigam até 20.000 aves que nunca vêem a luz do dia, só a luz artificial. São abarrotadas de antibióticos e hormônios para ganhar peso. Quem não se interessa pelos bichos deve pelo menos pensar em si próprio. A doença da vaca louca é um exemplo do resultado dessa forma de criação estapafúrdia. Além disso, o confinamento de bilhões de animais, alimentados de forma excessiva para o abate, exige uma quantidade incomensurável de plantações. Em alguns anos não haverá mais terra para plantio no planeta. Isso sem falar que a China e a Índia, com suas enormes populações, começaram a reproduzir métodos ocidentais de criação de animais. Se esse processo continuar, aumentarão os danos ao ambiente, a incidência de doenças cardíacas e os casos de câncer do sistema digestivo. São bons motivos para avaliar a comida moralmente.

Veja – O que o senhor propõe para mudar essa situação?
Singer – Eu sou vegetariano, mas não acredito que parar de comer carne seja a solução para o mundo. Há maneiras mais dignas de criar os animais, respeitando sua natureza e o meio ambiente. Pode parecer contraditório, mas são os próprios produtores de alimentos que vão imprimir essas mudanças. Na primeira etapa do processo, o consumidor precisa ser educado. Esse é um dos objetivos do meu novo livro. As pessoas têm de conhecer a realidade das fazendas industriais e saber que suas escolhas têm muito peso para modificar a atitude dos empresários do ramo em relação aos animais. O mercado só produz o que o consumidor quer. O consumo de vitela, por exemplo, caiu drasticamente quando se tornou público que os bezerros são separados da mãe e transformados propositalmente em animais anêmicos, confinados em espaços minúsculos, para que sua carne fique macia e branca.

Veja – Os produtores de alimentos estão dispostos a mudar seus métodos de criação de animais de maneira drástica?
Singer – Eles não têm muita saída. No mês passado, o maior produtor de porcos dos Estados Unidos, a Smithfield Farms, anunciou uma reestruturação nos criadouros de seus animais, hoje confinados em pequenos espaços. A empresa tem 187 fazendas de porcos nos Estados Unidos e prevê que só em dez anos as mudanças serão implementadas em todas elas. Mas a simples divulgação da medida já desencadeou uma série de outras ações, inclusive de empresas menores, que conseguirão resultados mais rapidamente. Poucos dias depois de a empresa americana anunciar isso, a maior produtora canadense de porcos decidiu fazer o mesmo.

Veja – A ação dessa empresa decorre da conscientização do consumidor?
Singer – Sem dúvida. É uma reação em cadeia. A empresa americana só promoveu mudanças em sua criação de porcos porque sofreu pressão de um de seus maiores clientes, o McDonald's. E isso só aconteceu porque os clientes do McDonald's mostraram indignação com a forma como os porcos são criados. O mesmo está ocorrendo em relação ao aquecimento global. A preocupação das pessoas com o futuro do planeta é cada vez maior, o que tem pressionado as empresas a mudar suas atitudes e seus métodos de produção, criando alternativas para evitar a emissão de dióxido de carbono.

Veja – A humanidade sempre manteve laços afetivos com alguns animais. Por que oferecemos tanto amor aos bichos de estimação e às espécies em extinção enquanto negligenciamos as que nos alimentam?
Singer – Sempre fomos muito seletivos em relação aos animais com os quais queremos nos relacionar. Temos uma ligação mais profunda com bichos nos quais reconhecemos emoções e sentimentos, em particular com os cachorros, por causa do amor incondicional que eles nos oferecem. Respondemos bem a isso. As espécies em extinção, por sua vez, representam as mudanças que o planeta sofreu por causa da interferência humana. A extinção, por ser irreversível, é uma representação da perda, um processo que nos toca fundo. O mesmo não acontece com os animais que nos servem de alimento. O ser humano não tem empatia com eles nem quer mudar os próprios hábitos alimentares. É mais fácil não pensar sobre isso.

Veja – Em seu livro, escrevendo sobre a obesidade, o senhor sugere uma reflexão sobre o conceito da gula. Por que a sugestão?
Singer – Comemos demais e desnecessariamente. As religiões, de certa forma, sempre exerceram um controle sobre o que os fiéis comem. Uma leitura moral da história da alimentação revela que, de todas as religiões, a que menos conteve os excessos alimentares foi o cristianismo. Não se encontra na cultura cristã a série de restrições alimentares presente no islamismo, no judaísmo e até mesmo na tradição hinduísta. Nessas três culturas, há diversas advertências sobre o que se deve ou não comer. O que existe na tradição cristã é o pecado pelo excesso de comida, a gula, que foi esquecido ao longo dos séculos pelos cristãos. Esqueceram-se da gula e preocuparam-se com outros pecados, principalmente os de natureza sexual. O maior exemplo disso são os Estados Unidos. É um país cristão por natureza e, mesmo assim, a nação com a maior população obesa do mundo. Precisamos pensar sobre isso. Afinal, uma pessoa que come o dobro ou mais de carne do que precisa, carne proveniente de animais criados para consumo, não faz mal apenas a si mesma. Esse hábito tem impacto no planeta e, do ponto de vista moral, também é duplamente ruim.

Veja – O senhor é a favor dos alimentos geneticamente modificados, os transgênicos?
Singer – Do ponto de vista moral, não vejo mal algum nos transgênicos. Ainda mais imperioso do que combater a obesidade é acabar com a fome no mundo, e esses alimentos podem ser uma das soluções para o problema. Além disso, as plantações de transgênicos não precisam de pesticidas, o que ajuda a preservar o meio ambiente, ao contrário do que ocorre nas fazendas convencionais.

Veja – O que diria a quem deseja ser ético em relação à alimentação diária?
Singer – O que defendo no livro, e faço questão de deixar bem claro, é que não precisamos ser vegetarianos para ser éticos. Da mesma forma que não precisamos parar de usar o carro para ajudar a combater o aquecimento global – podemos mudar o tipo de energia usada para o carro funcionar. Na questão alimentar, é possível, por exemplo, evitar a carne de animais criados de forma tradicional. Uma boa opção é escolher os produtos animais provenientes das chamadas fazendas orgânicas. Já é uma tremenda mudança.

Veja – E que conselhos daria a quem quer ser ético no dia-a-dia?
Singer – Comece pelo mais simples. Cumprimente as pessoas, diga bom-dia, seja educado com quem convive.

A gripe dos porcos e a mentira dos homens


Por Mauro Santayana

O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em La Glória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods. La Glória é uma das mais pobres povoações do país. O primeiro a contrair a enfermidade (o paciente zero, de acordo com a linguagem médica) foi o menino Edgar Hernández, de 4 anos, que conseguiu sobreviver depois de medicado. Provavelmente seu organismo tenha servido de plataforma para a combinação genética que tornaria o vírus mais poderoso. Uma gripe estranha já havia sido constatada em La Glória, em dezembro do ano passado e, em março, passou a disseminar-se rapidamente.

Os moradores de La Glória – alguns deles trabalhadores da Carroll – não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem. A indústria tornou infernal a vida dos moradores de La Glória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos. A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, Bertha Crisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreia na comunidade, mas de nada adiantou. Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano. Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país. É o drama dos países dominados pelo neoliberalismo: sempre aceitam a podridão que mata.

O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão. A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala – no nível da exploração familiar – tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco.

Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a Organic Consumers Association, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias.

As Granjas Carroll – como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos – mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada “ação social”. Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam – como ocorre, no Brasil, com a Daslu – argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças.

O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de La Glória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll – com a cumplicidade da OMS.

JB Online

Mauro Santayana


A gripe suína e o monstruoso poder da indústria pecuária


Charge de PAixão http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/charges/

Em 1965, havia nos EUA 53 milhões de porcos espalhados entre mais de um milhão de granjas. Hoje, 65 milhões de porcos concentram-se em 65 mil instalações. Isso significou passar das antiquadas pocilgas a gigantescos infernos fecais nos quais, entre esterco e sob um calor sufocante, prontos a intercambiar agentes patógenos à velocidade de um raio, amontoam-se dezenas de milhares de animais com sistemas imunológicos debilitados. Cientistas advertem sobre o perigo das granjas industriais: a contínua circulação de vírus nestes ambientes aumenta as oportunidades de aparição de novos vírus mais eficientes na transmissão entre humanos. A análise é de Mike Davis.
A gripe suína mexicana, uma quimera genética provavelmente concebido na lama fecal de um criadouro industrial, ameaça subitamente o mundo inteiro com uma febre. Os brotos na América do Norte revelam uma infecção que está viajando já em maior velocidade do que aquela que viajou a última cepa pandêmica oficial, a gripe de Hong Kong, em 1968.
Roubando o protagonismo de nosso último assassino oficial, o vírus H5N1, este vírus suíno representa uma ameaça de magnitude desconhecida. Parece menos letal que o SARS (Síndrome Respiratória Aguda, na sigla em inglês) em 2003, mas como gripe, poderia resultar mais duradoura que a SARS. Dado que as domesticadas gripes estacionais de tipo “A” matam nada menos do que um milhão de pessoas ao ano, mesmo um modesto incremento de virulência, poderia produzir uma carnificina equivalente a uma guerra importante.
Uma de suas primeiras vítimas foi a fé consoladora, predicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na possibilidade de conter as pandemias com respostas imediatas das burocracias sanitárias e independentemente da qualidade da saúde pública local. Desde as primeiras mortes causadas pelo H5N1 em 1997, em Hong Kong, a OMS, com o apoio da maioria das administrações nacionais de saúde, promoveu uma estratégia centrada na identificação e isolamento de uma cepa pandêmica em seu raio local de eclosão, seguida de uma massiva administração de antivirais e, se disponíveis, vacinas para a população.
Uma legião de céticos criticou esse enfoque de contrainsurgência viral, assinalando que os micróbios podem agora voar ao redor do mundo – quase literalmente no caso da gripe aviária – muito mais rapidamente do que a OMS ou os funcionários locais podem reagir ao foco inicial. Esses especialistas observaram também o caráter primitivo, e às vezes inexistente, da vigilância da interface entre as enfermidades humanas e as animais. Mas o mito de uma intervenção audaciosa, preventiva (e barata) contra a gripe aviária resultou valiosíssimo para a causa dos países ricos que, como os Estados Unidos e a Inglaterra, preferem investir em suas próprias linhas Maginot biológicas, ao invés de incrementar drasticamente a ajuda às frentes epidêmicas avançadas de ultra mar. Tampouco teve preço esse mito para as grandes transnacionais farmacêuticas, envolvidas em uma guerra sem quartel com as exigências dos países em desenvolvimento empenhados em exigir a produção pública de antivirais genéricos fundamentais como o Tamiflu, patenteado pela Roche.
A versão da OMS e dos centros de controle de enfermidades, que já trabalha com a hipótese de uma pandemia, sem maior necessidade novos investimentos massivos em vigilância sanitária, infraestrutura científica e reguladora, saúde pública básica e acesso global a medicamentos vitais, será agora decisivamente posta a prova pela gripe suída e talvez averigüemos que pertence à mesma categoria de gestão de risco que os títulos e obrigações de Madoff. Não é tão difícil que fracasse o sistema de alertas levando em conta que ele simplesmente não existe. Nem sequer na América do Norte e na União Européia.
Não chega a ser surpreendente que o México careça tanto de capacidade como de vontade política para administrar enfermidades avícolas ou pecuárias, pois a situação só é um pouco melhor ao norte da fronteira, onde a vigilância se desfaz em um infeliz mosaico de jurisdições estatais e as grandes empresas pecuárias enfrentam as regras sanitárias com o mesmo desprezo com que tratam aos trabalhadores e aos animais.
Analogamente, uma década inteira de advertências dos cientistas fracassou em garantir transferências de sofisticadas tecnologias virais experimentais aos países situados nas rotas pandêmicas mais prováveis. O México conta com especialistas sanitários de reputação mundial, mas tem que enviar as amostras a um laboratório de Winnipeg para decifrar o genoma do vírus. Assim se perdeu toda uma semana.
Mas ninguém ficou menos alerta que as autoridades de controle de enfermidades em Atlanta. Segundo o Washington Post, o CDC (Centro de Controle de Doenças) só percebeu o problema seis dias depois de o México ter começado a impor medidas de urgência. Não há desculpas para justificar esse atraso. O paradoxal desta gripe suína é que, mesmo que totalmente inesperada, tenha sido prognosticada com grande precisão. Há seis anos, a revista Science publicou um artigo importante mostrando que “após anos de estabilidade, o vírus da gripe suína da América do Norte tinha dado um salto evolutivo vertiginoso”.
Desde sua identificação durante a Grande Depressão, o vírus H1N1 da gripe suína só havia experimentado uma ligeira mudança de seu genoma original. Em 1998, uma variedade muito patógena começou a dizimar porcas em uma granja da Carolina do Norte, e começaram a surgir novas e mais virulentas versões ano após ano, incluindo uma variante do H1N1 que continha os genes do H3N2 (causador da outra gripe de tipo A com capacidade de contágio entre humanos).
Os cientistas entrevistados pela Science mostravam-se preocupados com a possibilidade de que um desses híbridos pudesse se transformar em um vírus de gripe humana – acredita-se que as pandemias de 1957 e de 1968 foram causadas por uma mistura de genes aviários e humanos forjada no interior de organismos de porcos – e defendiam a criação urgente de um sistema oficial de vigilância para a gripe suína: advertência, cabe dizer, que encontrou ouvidos surdos em Washington, que achava mais importante então despejar bilhões de dólares no sumidouro das fantasias bioterroristas.
O que provocou tal aceleração na evolução da gripe suína: Há muito que os estudiosos dos vírus estão convencidos que o sistema de agricultura intensiva da China meridional é o principal vetor da mutação gripal: tanto da “deriva” estacional como do episódico intercâmbio genômico. Mas a industrialização empresarial da produção pecuária rompeu o monopólio natural da China na evolução da gripe. O setor pecuário transformou-se nas últimas décadas em algo que se parece mais com a indústria petroquímica do que com a feliz granja familiar pintada nos livros escolares.
Em 1965, por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de porcos espalhados entre mais de um milhão de granjas. Hoje, 65 milhões de porcos concentram-se em 65 mil instalações. Isso significou passar das antiquadas pocilgas a gigantescos infernos fecais nos quais, entre esterco e sob um calor sufocante, prontos a intercambiar agentes patógenos à velocidade de um raio, amontoam-se dezenas de milhares de animais com sistemas imunológicos muito debilitados.
No ano passado, uma comissão convocada pelo Pew Research Center publicou um informe sobre a “produção animal em granjas industriais”, onde se destacava o agudo perigo de que “a contínua circulação de vírus (…) característica de enormes aviários ou rebanhos aumentasse as oportunidades de aparição de novos vírus mais eficientes na transmissão entre humanos”. A comissão alertou também que o uso promíscuo de antibióticos nas criações de suínos – mais barato que em ambientes humanos – estava propiciando o surgimento de infecções de estafilococos resistentes, enquanto que os resíduos dessas criações geravam cepas de escherichia coli e de pfiesteria (o protozoário que matou um bilhão de peixes nos estuários da Carolina do Norte e contagiou dezenas de pescadores).
Qualquer melhora na ecologia deste novo agente patógeno teria que enfrentar-se com o monstruoso poder dos grandes conglomerados empresariais avícolas e pecuários, como Smithfield Farms (suíno e gado) e Tyson (frangos). A comissão falou de uma obstrução sistemática de suas investigações por parte das grandes empresas, incluídas algumas nada recatadas ameaças de suprimir o financiamento de pesquisadores que cooperaram com a investigação.
Trata-se de uma indústria muito globalizada e com influências políticas. Assim como a gigante avícola Charoen Pokphand, sediada em Bangkok, foi capaz de desbaratar as investigações sobre seu papel na propagação da gripe aviária no sudeste asiático, o mais provável é que a epidemiologia forense do vírus da gripe suína bata de frente contra a pétrea muralha da indústria do porco.
Isso não quer dizer que nunca será encontrada uma acusadora pistola fumegante: já corre o rumor na imprensa mexicana de um epicentro da gripe situado em torno de uma gigantesca filial da Smithfield no estado de Vera Cruz. Mas o mais importante – sobretudo pela persistente ameaça do vírus H5N1 – é a floresta, não as árvores: a fracassada estratégia antipandêmica da OMS, a progressiva deterioração da saúde pública mundial, a mordaça aplicada pelas grandes transnacionais farmacêuticas a medicamentos vitais e a catástrofe planetária que é uma produção pecuária industrializada e ecologicamente bagunçada.
Mike Davis é professor no departamento de História da Universidade da Califórnia (UCI), em Irvine, e um especialista nas relações entre urbanismo e meio ambiente. Ex-caminhoneiro, ex-açogueiro e ex-militante estudantil, Davis é colaborador das revistas New Left Review e The Nation, e autor de vários livros, entre eles Ecologia do Medo, Holocaustos coloniais, O monstro bate a nossa porta (editora Record), e Cidade de quartzo: escavando o futuro em Los Angeles (Boitempo) Também é membro do Conselho Editorial de Sin Permiso.

* Artigo [The swine flu crisis lays bare the meat industry's monstrous power] publicado originalmente no The Guardian (27/04/2009). Publicado também, em espanhol, no Sin Permiso.
** Tradução de Katarina Peixoto, publicada na Agência Carta Maior

Ato de cozinhar criou a humanidade, afirma novo livro de antropólogo

24/04/09 - 10h57 - Atualizado em 24/04/09 - 10h57

Ato de cozinhar criou a humanidade, afirma novo livro de antropólogo

Richard Wrangham discute hipótese do 'macaco cozinheiro' com o NYT.
Comida preparada no fogo tem maior valor nutritivo, argumenta ele.

Claudia Dreifus Do 'New York Times'

O primatólogo e antropólogo Richard Wrangham (Foto: Rick Friedman/NYT)

Richard Wrangham, primatologista e antropólogo, passou quatro décadas observando chimpanzés selvagens na África para analisar o que seu comportamento pode nos dizer sobre os humanos pré-históricos. Wrangham, 60, nasceu na Inglaterra e desde 1989 está em Harvard, onde é professor de antropologia biológica. Ele está prestes a publicar outro livro, “Catching fire: how cooking made us human” (Pegando fogo: como cozinhar nos tornou humanos). Ele foi entrevistado durante um almoço vegetariano na última reunião da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Chicago, e em seguida mais uma vez por telefone. Segue uma versão editada das duas conversas:

PERGUNTA: Em seu novo livro, você sugere que o ato de cozinhar foi capaz de facilitar nossa evolução de macacos a humanos. Até hoje, os cientistas teorizaram que a criação de ferramentas e a alimentação com carne definiram as condições para a escalada do homem. Por que você argumenta que cozinhar foi o fator principal?

WRANGHAM: Tudo os fatores mencionados por você foram direcionadores da evolução de nossa espécie. Entretanto, nosso cérebro grande e o formato de nossos corpos são o produto de uma rica dieta, apenas disponível depois que nós começamos a cozinhar nossos alimentos. Foi a ação de cozinhar que deu a nossos corpos mais energia do que conseguiríamos anteriormente comendo comida crua.

Eu acompanhei chimpanzés selvagens e estudei o que, e como, eles comem. Chimpanzés modernos são inclinados a pegar os mesmos tipos de comida que nossos ancestrais. Na vida selvagem, eles seriam sortudos se encontrassem uma fruta tão deliciosa quanto uma framboesa. Com maior frequência eles encontram um cacho de frutas secas e de gosto forte, como frutos de espinheiros, mastigados por eles durante pelo menos uma hora. O chimpanzé passa a maior parte de seu dia descobrindo e mascando alimentos extremamente fibrosos. Sua dieta é bastante insatisfatória para humanos. Mas assim que nossos ancestrais começaram a comer alimentos cozidos – há aproximadamente 1,8 milhões de anos –, sua dieta se tornou mais suave, segura e muito mais nutritiva.

E foi isso o fator estimulador do desenvolvimento do corpo ereto e do cérebro grande associados aos humanos modernos. Ancestrais mais antigos tinham o tronco relativamente grande para proporções de macacos. O Homo erectus, nosso ancestral mais imediato, possui pernas compridas e um corpo esguio. Na verdade, ele poderia entrar numa loja da Quinta Avenida hoje e comprar um terno diretamente do cabide.

Nossos ancestrais foram capazes de evoluir porque as comidas cozidas eram mais ricas, mais saudáveis e exigiam menos tempo para mastigar.

P: Para cozinhar, você precisa de fogo. Como os humanos antigos o conseguiam?

WRANGHAM: Os australopitecos, predecessores de nossos ancestrais pré-humanos, viviam em savanas de planaltos secos. Eles muitas vezes encontravam fogos naturais e alimentos aprimorados por essas chamas. Além disso, sabemos, por marcas de cortes em antigos ossos, que nosso distante ancestral, o Homo habilis, comia carne. Eles certamente fizeram martelos de pedras, possivelmente usados para amaciar essa proteína animal. Sabemos que voam faíscas quando se bate pedras. É razoável imaginar que nossos ancestrais comeram alimentos aquecidos pelo fogo, criado, diga-se de passagem, por eles próprios, enquanto preparavam sua carne.

Agora, com fogueiras comunitárias, alimentos cozidos e uma dieta rica em calorias, o mundo social de nossos ancestrais também mudou. Quando indivíduos eram atraídos a um local específico onde havia uma fogueira, eles passavam muito tempo juntos, em volta do fogo. Isso era claramente um sistema extremamente distinto do estilo errante dos chimpanzés, acostumados a dormir onde quer que fosse, sempre capazes de abandonar um grupo se houvesse qualquer tipo de conflito social.

Tínhamos de conseguir olhar um para o outro nos olhos. Não podíamos reagir com impulsividade. Uma vez que se está sentado em volta do fogo, você precisa reprimir emoções reativas capazes, de outra forma, de levar ao caos social. Ao redor daquele fogo, nos tornamos mais mansos.

P: Seus críticos dizem que você tem uma boa teoria, mas nenhuma prova. Eles dizem que não há evidência de fogueiras há 1,8 milhões de anos. O que você responde para eles?

WRANGHAM: Sim, existem aqueles que necessitam das provas arqueológicas acerca da existência de fogueiras há 1,8 milhões de anos. E sim, até agora, nenhuma prova foi encontrada. Há evidências em Israel capazes de mostrar o controle de fogo há cerca de 800 mil anos. Eu adoraria ver sinais arqueológicos mais antigos. Em algum momento, vamos encontrá-los.

Todavia, nesse meio tempo, temos fortes evidências biológicas. Nossos dentes e nossos órgãos internos ficaram menores há 1,8 milhões de anos. Essa mudança só pode ser explicada pelo fato de que nossos ancestrais estavam obtendo mais nutrientes e comidas mais macias. Isso só poderia ter acontecido se eles estivessem cozinhando. A dieta que vemos nos chimpanzés modernos, simplesmente não era suficiente para estimulá-los.

P: Vi que certa vez você embarcou numa dieta de chimpanzé. Como foi isso?

WRANGHAM: Em 1972, quando eu estava estudando comportamento de chimpanzés na Tanzânia, pensei ser interessante ver como eu viveria com a alimentação dos chimpanzés. Perguntei a Jane Goodall, o diretora do projeto, se eu poderia viver como um chimpanzé por algum tempo. Ela concordou. Porém, eu queria ser realmente natural e verdadeiramente uma parte da selva, então acrescentei: “Gostaria de fazer isso nu”. Nesse ponto ela fincou o pé: “Você vai usar pelo menos uma tanga!”.

No fim, acabei não realizando o experimento completo. Entretanto, houve tempos em que eu passei a não comer pela manhã e tentei viver do que encontrasse. Isso me deixou extremamente faminto.

P: O que você come, usualmente?

WRANGHAM: Comida comum, ocidental e industrializada. Não como um animal que não estou preparado para matar eu mesmo. Não como um mamífero há mais de 30 anos, exceto por um par de vezes nos anos 1990, quando comi um pouco de macaco cru que os chimpanzés haviam matado e deixado para trás.

Eu queria ver qual era o gosto. O colobo-branco-e-preto é muito duro e desagradável. O colobo-vermelho é mais doce. Os chimpanzés o preferem por bons motivos.

P: Você comeu macaco cru pela ciência?

WRANGHAM: Sim. Sinto que, ao assumir a pele de um chimpanzé, você ganha percepções que não conseguiria de outra maneira. Foi assim que cheguei a este entendimento sobre o papel do cozinhar.

P: Já que você acredita que as porções cruas da pré-história deixariam uma pessoa moderna faminta, isso significa que estamos adaptados aos alimentos consumidos atualmente – McDonald’s, pizza?

WRANGHAM: Acho que estamos adaptados à nossa dieta. Todavia, nosso estilo de vida não está. Estamos adaptados no sentido de que nossos corpos são projetados para maximizar a quantidade de energia obtida de nosso alimento. Então somos muito bons em selecionar as comidas capazes de produzir muita energia. Entretanto, nós absorvemos muito mais do que precisamos. Isso não é uma boa adaptação.

Ler devia ser proibido





De Guiomar de Grammon

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentiros exemplos de Don Quixote e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora,a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si eao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?**Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhospara caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos,pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular um curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem quelê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova... Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil. Além disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos... A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos,porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

In: PRADO, J. & CONDINI, P. (Orgs.). A formação do leitor: pontos de vista.Rio de Janeiro: Argus, 1999. pp.71-3.*
Pintura Paranaense no site :
http://www.gilsoncamargo.com.br/blog/?p=179





pintores da paisagem paranaense
Jean Baptiste Debret - 1827 (primeira imagem conhecida da cidade de Curitiba)
Jean Baptiste Debret - paranaguá, sem data
Jean Baptiste Debret - paranaguá, 1827
Jean Baptiste Debret - paranaguá vista sul a três léguas, 1827
Jean Baptiste Debret - guaratuba, 1827
Jean Baptiste Debret - cidade de castro, 1827
John Henry Elliot - cachoeira dos dourados, 1855
Franz Keller - caçada a anta no rio ivaí, 1865
Joseph Keller - vista de curitiba, 1865
William Loyd - antonina, 1872
Hugo Calgan - estação da diligência em Curitiba, 1881
William Michaud - floresta da encosta, 1890
William Michaud - superagüi, sem data
João Leão Pallière - tropa carregada de erva-mate descendo a serra, sem data
Alfredo Andersen - imagem do cadeado, sem data
Alfredo Andersen - pontal do sul, sem data
Alfredo Andersen - porto de paranaguá, sem data
Alfredo Andersen - queimada, sem data
Alfredo Andersen - sapeco da erva-mate, sem data
Alfredo Andersen - rocio no litoral, 1896
Lange de Morretes - cataratas do iguaçu, 1920
Alfredo Andersen - paisagem com canoa, 1922
Alfredo Andersen - guaratuba, 1925
Theodoro De Bona - paisagem de curitiba, 1925
Alfredo Andersen - paisagem de guaratuba, 1925
Alfredo Andersen - passeio público de curitiba, sem data
Guido Viaro - passeio público de curitiba, 1936
João Guelfi - passeio público de curitiba, sem data
Oswald Lopes - paisagem, 1938
Guido Viaro - paisagem com pinheiros, 1940
Waldemar Curt Freyesleben - paisagem paranaense, 1943
Guido Viaro - lavadeiras, 1944
Theodoro De Bona - ilha do mel, 1946
Kurt Boiger - paisagem, 1948
Arthur Nisio - vila de nossa senhora da luz dos pinhais
Lange de Morretes - rei solitário, 1953
Paul Garfunkel - largo da ordem, 1957
Theodoro De Bona - amplo horizonte, 1969
Theodoro De Bona - cacique tindiquera indica o local da fundação de curitiba
Theodoro De Bona - morretes, 1969
Miguel Bakun - pinheiros 1, sem data
Miguel Bakun - pinheiros, sem data
Guilherme Matter - plantação de trigo, sem data
Theodoro De Bona - pinheiros, 1979
Paul Garfunkel - mercado de paranaguá, 1979
Paul Garfunkel - festa de polacos, 1979Paul Garfunkel - praça tiradentes, 1979
Imagens reproduzidas do livro “Pintores da Paisagem Paranaense”, editado pela livraria e editora Solar do Rosário

Terceiras Guerras Mundiais


Colagem Rene Scholz 2008
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Imagens do consciente



Colagem 2007 René Gomes Scholz
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Arnaldo Jabor , a carne e o meio ambiente


Arnaldo Jabor fala sobre os problemas advindos da criação extensiva de gado e a poluição gerada. No link http://cantinhovegetariano.blogspot.com/2007/05/arnaldo-jabor-fala-sobre-carne-e-meio.html

René e Téia Werner


No ano que vem comemoraremos bodas de prata. No meio, Julio Werner Scholz.
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Terráqueos



"Earthlings" (Terráqueos)

"Earthlings" (Terráqueos) - 1:35:28

O vencedor do Prêmio Nobel, Isaac Bashevis Singer (1904-1991), escreveu, em seu livro de maior sucesso, "Enemies", o seguinte: "Por mais que Herman tivesse testemunhado o abate de animais e peixes, ele sempre tinha o mesmo pensamento: no seu comportamento em relação aos animais, todos os homens são nazistas. A presunção com a qual o homem pode fazer o que quiser com outras espécies exemplifica as teorias racistas mais extremas, a lei do mais forte." A comparação com o Holocausto é intencional e óbvia. Um grupo de seres vivos angustia nas mãos de outro. Embora alguns possam argumentar que o sofrimento de animais não possa ser comparado ao sofrimento dos judeus e escravos, há, de fato, um paralelo. E para os prisioneiros e vítimas deste assassinato em massa, o seu holocausto está longe do fim. Escrito, produzido e dirigido por Shaun Monson e narrado por Joaquin Phoenix, este vídeo em inglês, com legendas em português, é uma produção da Nation Earth Organization.«
http://video.google.com/videoplay?docid=-239204330856039070

Sociedade Vegetariana Brasileira



Impactos ambientais da produção de carne


Impactos ambientais da produção de carnePecuária e desmatamento; pesca industrial e colapso de espécies oceânicas; aqüicultura e destruição de manguezais; suinocultura e poluição de lençóis freáticos; criação de animais para consumo humano e aquecimento global. Essas e outras relações perigosas estão presentes no caderno “Impactos ambientais do uso de animais para alimentação”, produzido pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB). Com o respaldo de fontes como FAO, ONU, WWF e IBGE, o caderno revela em que medida a produção industrial de carnes compromete a sustentabilidade em nosso planeta.Para fazer o download do caderno, clique aqui...

Vegetariano em ação

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Filosofia Vegetariana

"O destino dos animais tem muito mais importância para mim do que o medo de parecer ridículo: está indissoluvelmente ligado ao destino do homem." (Émile Zola)


"Ser vegetariano é discordar: discordar do curso que as coisas tomaram hoje .Fome,crueldade,desperdício,guerras-Precisamos nos posicionar sobre essas coisas .O vegetarianismo é minha forma de me posicionar."( Isaac Bashevis Singer)


"Muitos falam sobre o vegetarianismo como sendo 'aqueles que só comem mato!'Este engano será esclarecido quando provarem esta culinária diversamente saborosa...Compreendendo que só podem afirmar algo, depois de o vivenciarem na sua plenitude ."(Marcos Tostes)


"Se tratando de alimentação animal estamos em decadência, porque ao invés de coração e saúde,somos escravos do estômago e moléstia."(Marcos Tostes)


"Quando o homem aprende a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante."(Albert Schwweitzer)


"Assim como uma rocha sólida não trêmula ao vento, os sábios não são movidos nem por elogios nem por acusações."(Dhammapada)


Pstado por Faní asubhih@hotmail.com na Comunidade do Orkut Vegetarianismo

Desejo (Victor Hugo)

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.

Desejo, pois, que não seja assim
Mas se for, saiba ser sem se desesperar
Desejo também que tenha amigos
Que mesmo maus e inconseqüentes
Sejam corajosos e fiéis
E que pelo menos em um deles
Você possa confiar sem duvidar

E porque a vida é assim
Desejo ainda que você tenha inimigos
Nem muitos, nem poucos
Mas na medida exata para que
Algumas vezes você se interpele
A respeito de suas próprias certezas.
E que entre eles
Haja pelo menos um que seja justo

Desejo depois, que você seja útil
Mas não insubstituível
E que nos maus momentos
Quando não restar mais nada
Essa utilidade seja suficiente
Para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante
Não com os que erram pouco
Porque isso é fácil
Mas com os que erram muito e irremediavelmente
E que fazendo bom uso dessa tolerância
Você sirva de exemplo aos outros

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais
E que sendo maduro
Não insista em rejuvenescer
E que sendo velho
Não se dedique ao desespero
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor

Desejo, por sinal, que você seja triste
Não o ano todo, mas apenas um dia
Mas que nesse dia
Descubra que o riso diário é bom
O riso habitual é insosso
E o riso constante é insano.

Desejo que você descubra
Com o máximo de urgência
Acima e a respeito de tudo
Que existem oprimidos, injustiçados e infelizes
E que estão bem à sua volta
Desejo ainda
Que você afague um gato, alimente um cuco
E ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque assim, você se sentirá bem por nada

Desejo também
Que você plante uma semente, por menor que seja
E acompanhe o seu crescimento
Para que você saiba
De quantas muitas vidas é feita uma árvore

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro
Porque é preciso ser prático
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele na sua frente e diga:
"Isso é meu"
Só para que fique bem claro
Quem é o dono de quem

Desejo também
Que nenhum de seus afetos morra
Por eles e por você
Mas que se morrer
Você possa chorar sem se lamentar
E sofrer sem se culpar

Desejo por fim
Que você sendo homem, tenha uma boa mulher
E que sendo mulher, tenha um bom homem
Que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes
E quando estiverem exaustos e sorridentes
Ainda haja amor pra recomeçar

E se tudo isso acontecer
Não tenho mais nada a lhe desejar

( Enviada por Julio Telles)

Pirogravuras




















Veja o ábum

Amiga bicicleta

Alguns amigos

Artes Minhas

Eu, lá atrás, na bicicletada de julho

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